Crônicas – Por Davi Deamatis

Crônicas – Por Davi Deamatis

85
0
COMPARTILHE

Fantasmas?

Espantada, a lojista me contou mais uma história de aparição de fantasmas que estaria correndo naquele antigo shopping: “As crianças são vistas ali, bem em frente à lanchonete, ficam pairando no ar, riem e vão embora quando alguém se aproxima.” Para mim, esse fenômeno era novidade. Mas a respeito deste segundo caso, eu já ouvira alguma coisa, sem detalhes: refere-se ao inexplicável balançar de enorme lustre, que desce do teto do shopping. Então, perguntei a ela: “A que horas isso acontece? Dá pra ver o quê? Alguma imagem especial, algum sopro, vento ou nuvem, impulsionando o lustre?”

 

“Nossa Senhora! E você acha que alguém fica por perto para ver isso? Ele balança à noite, quando já não há movimento e apenas uns poucos funcionários estão por aqui. Quem vê o lustre balançar, não olha pela segunda vez, sai por outro corredor.”

 

Nesse ponto, fiz a pergunta fundamental: “Você já viu algum desses fenômenos?” Ela fez o sinal da cruz e exclamou: “Deus me livre disso! Estou dizendo o que me contaram os funcionários que viram a coisa toda acontecendo!”

 

Não insisti, pois é sempre assim: quem conta um fenômeno do gênero, nunca o viu acontecendo. Ouviu a história de alguém que também não assistiu a ela e assim vai. Dessa maneira é que nasce mais uma lenda urbana. Como aquela que se espalhara na década de 80, causando pânico infundado nas famílias: a de que uma bailarina e um palhaço estariam sequestrando alunos de escolas infantis para arrancar-lhes determinados órgãos a fim de vendê-los a traficantes internacionais. Isto, nunca ficou provado.

Há um rico painel dessas lendas em nossas cidades. São belas histórias para a ficção, ou uma crônica, mas ruim para a vida real porque, embora sem qualquer fundamento, causam pavor, como aquele que vivi em minha infância: a de uma loira, cujas narinas eram cheias de algodão, que vivia de atacar crianças nos banheiros das escolas… Na época, diante de meu pavor, meu pai, homem religioso, me acalmava: “Quem acredita em Deus, não acredita nessas coisas…”

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UM COMENTÁRIO